segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Só em Deus há segurança


Parece que vivemos o drama da insegurança por todos os lados: insegurança econômica com as ondas das crises que vão e vem e que nos obrigam a ter medo do nosso futuro; insegurança nas amizades e nos afetos que se tornam cada vez mais frágeis e sem estabilidade; insegurança religiosa quando vemos tantas coisas dentro da própria igreja e nos perguntamos “ mas será que isso é amar a Deus?”; insegurança na saúde, no trabalho, na vida…o que fazer diante de tudo isso? Como reagir? 
A palavra de Deus do primeiro domingo da Quaresma oferece uma resposta clara: só em Deus há segurança. É necessário entrar na Arca de Deus. Deus convidou Noé a entrar na Arca para se salvar do dilúvio que é símbolo de toda a catástrofe mas também Deus decide de não mais enviar dilúvios e faz com o ser humano uma Aliança que é o arco Iris que Ele coloca no Céu. 
Este sinal tão divino e belo que muitas vezes é usado como sinal de outras realidades. Sempre que você vir o arco Iris no Céu, lembre-se da Aliança de Deus conosco. O Batismo é a nossa arca da aliança. Pelo Batismo entramos no coração de Deus e somos chamados a viver com amor o empenho de amar uns aos outros, sendo cada um a segurança para o outro. 
Deus tem paciência conosco mas exige a nossa resposta para que nós possamos vencer todas as tentaçõs da vida. No Evangelho vemos Jesus tentado pelo diabo, pelo mal, pelo relativismo das coisas. 
Quais são as tentações que você sente mais forte na sua vida? Viver o egoismo pensando somente em você? Procurando frear suas angústias com compras desnecessárias? Tentando não olhar dentro de você e brigando “a torto e a direito” com todos? Sendo mal humorado, invejoso, ciumento? A coisa mais bonita é ser honesto consigo mesmo. Mas não esqueçamos que estamos de passagem e nada nem coisa alguma nos dará felicidade, só Deus. Ele é a nossa segurança. 
Nesta semana medite, veja os seus defeitos e não dos outros e tentemos nos corrigir. 
Que Santa Teresinha nos envie uma chuva de rosas e bençãos.
Seja feliz, você aí e eu aquí no Egito. Mas sempre unidos pela oração

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


 
Cairo, 22/02/12


A Quaresma, “quarenta dias” , é o caminho que o cristão faz para se preparar para a Pasqua do Senhor. Como viver este período? O Papa nos recorda que é necessário vive-lo com quatro meios: oração, silêncio, atenção ao outro e jejum. O grande pecado de hoje é a “anestesia espiritual”, sermos indiferentes diante dos sofrimentos dos outros. Necessitamos dar atenção ao outro para faze-lo crescer e assim nós crescermos com ele. A Quaresma nos permite penetrar no nosso coração e ver que toda divisão não vem de Deus. Precisamos nos purificar dos nossos egoismos e olhar ao nosso redor. Não sermos indiferentes aos que sofrem mas amá-los e ajudá-los na medida do possível.
Encontre 10 minutos para estar em silêncio e veja o que você pode fazer para que as pessoas que vivem perto de você sofram menos. Quaresma não é olhar e cruzar os braços mas olhar e ter compaixão e fazer algo para o outro. Jejuar significa vencer o mal que está em nós e fazer pequenos sacrifícios para ajudar os outros.
Que Santa Teresinha envie a você uma chuva de rosas.

Boa Quaresma.
Seja feliz!
Abuna Batrik ( Frei Patricio Sciadini)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CINZA, JEJUM, ESMOLA, ORAÇÃO


                                  

O ciclo do ano nos oferece com fidelidade a oportunidade de celebrar os grandes momentos da vida e da liturgia. O início da quaresma é um Kairos de Deus onde se experimenta a necessidade de conversão. Olhamos dentro de nós e vemos que muitas mudanças são necessárias para podermos nos dizer discípulos e missionários de Jesus. Olhamos fora de nós e vemos que somos co-responsáveis por tantas estruturas injustas e pecaminosas que dominam e exploram os pobres. Não somente os grandes e os poderosos escravizam os pobres desfavorecidos mas mesmo os pobres se exploram entre si e se dominam para ver quem é que manda mais. Não se compreende o mistério do serviço de Cristo sem uma dimensão de fé. O caminho da quaresma é marcado desde sempre através de atos simbólicos que, bem compreendidos e assumidos, nos mostram a possibilidade de um caminho novo diante de nós.
CINZAS: A quarta-feira de cinzas marca na Igreja um caminho novo, termina o carnaval e começa o período de penitência, de austeridade, de purificação para podermos chegar à Páscoa do Senhor com coração novo. No passado este dia era de verdade o dia “divisório” entre o antes e o depois. Hoje em dia perdeu o sentido sagrado do tempo. Todo tempo é tempo para tudo. O carnaval continua e a penitência não chega. Mas ficou no imaginário religioso do povo que para estar bem com Deus é preciso ir à igreja e receber as “cinzas” na cabeça como sinal de pacificação. Com este rito muitos acham que estão “quites” com Deus e pronto. É só voltar à igreja no próximo ano para pagar a promessa. Claro que este ritualismo nada diz e a nada serve se não houver uma mudança interior. É uma forma de religiosidade popular que deve ser purificada. Cabe  aos pastores e agentes de pastoral fazer este trabalho de base.
JEJUM: jejum tem um sentido de autodomínio, de maturidade. Não para perder barriga e nem ser esbelto, não um jejum terapêutico e de estética. É experimentar a fome para saber como se sentem milhões de irmãos obrigados a jejuar por falta de comida, de solidariedade. Na experiência da fome percebemos a revolta de todo o nosso ser que reclama em nós. Por isso que Jesus foi tentado e ele sentiu no jejum a voz violenta do demônio que tentava distraí-lo do seu caminho de fidelidade ao Pai. Jejum  serve para que possamos perceber e conhecer a nós mesmos. Jejuar e ficar nervoso, revoltado e agressivo não serve a nada. Precisamos ser senhores de nós mesmos. Jejuar  da tendência do pecado e do mal que estão em nós, repartir com os outros o que temos e somos.
ESMOLA: A esmola é o sinal mais belo da solidariedade, da caridade. É gesto de plena gratuidade que deve ser vivido a partir de dentro, da generosidade do nosso coração. Esmola que não é compaixão antropológica mas sim ternura divina que vem do encontro nosso com Deus que nos envia a amá-lo presente nos mais necessitados e pobres. Dar esmola não é somente dar coisas mas antes de tudo dar amor: “não há maior amor do que dar a vida por aquele que se ama”. Esmola não é dar aos pobres tudo o que não serve ou que gera transtorno em casa, fazer limpeza e fazer do pobre o “saco do lixo”. É amar e dar o melhor que temos .
ORAÇÃO: fonte de toda a nossa vida espiritual, do nosso agir é a oração. Somente os que dialogam com Deus saberão como agir no dia a dia. É o Senhor que sussurra ao nosso coração como devemos comportar-nos no trabalho, na igreja, na família, na intimidade do nosso lar e do nosso coração. Sem a oração somos cegos que andam tateando por aí, mas que não encontram o caminho certo. Na quaresma que estamos começando procuremos ir pelo caminho das cinzas, do jejum, da esmola e da oração e a Páscoa será para nós encontro efetivo e gozoso com Cristo ressuscitado.

 Frei Patrício Sciadini, ocd.

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